O dilema durou meses, muda-não-muda, um sofrimento só. Devia era fazer pós em “Gestão de Prós e Contras Vida Afora”. Antes de começar já me sinto especialista, com anos de experiência e um senhor currículo. A verdade é que eu já tinha tudo esquematizado, pesei os contratempos, colecionei opiniões e até o peruano do mercado ao lado tava dando pitaco na mudança. Decidi convicta que a melhor escolha era o apartamento central, que escapava da muvuca mas perdia o charme do caindo-aos-pedaços.

Mudar de casa é sempre uma emoção. Mas não se deixe levar pela beleza do momento, leitor! Como todos os mortais, você terminará com roxos pelo corpo, músculos desobedientes, rinite aguda e mau-humor generalizado. Quem mandou. Depois ainda tem que arranjar ânimo pra ‘que diabos fazer com os móveis/tralhas que sobraram?’ e ‘quer saber, desisto dessas caixas, deixa aqui mesmo que já-já alguém leva’.

Mas me arrisco a dizer que valeu a pena! Depois de tudo pronto, o quarto ficou uma graça, a sacadinha parece maior, a sala mais aconchegante e a cozinha convidativa. Descobri que não estar na meiúca pode oferecer ótimos mercados e a impagável possibilidade de caminhar em linha reta sem esbarrar em grupos de adolescentes branquelos fotografando a placa da esquina. Não querendo cuspir no prato que tanto comi.

Por problemas socio-criminais, já não tenho máquina fotográfica. Espero em breve, postar fotos e impressões visuais da região :-)

Beijo grande.

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