uerido diário:


Aqui estou eu outra vez, debruçada no teclado, tentando arrancar maneiras de começar esse post. Fosse falta do que falar, seria mais fácil. O problema são os excessos, sempre. Dá-lhe Amélie Soundtrack, é batata-agora-vai. Queria voltar a escrever com mais frequência, mas me descobri completamente incapaz de articular mais de um objetivo ao mesmo tempo. Então, me propus a não perder tempo com blog nem com flickr nem com emails pessoais, até ter meu rumo profissional decidido. Afinal, esse (sempre) é o mais importante de todos os passos. O resultado desse auto-castigo está aí abaixo.

Nesse mês de volta a Barcelona me dediquei exclusivamente à busca de trabalho na minha área. O design, claro. Idas e vindas da biblioteca do bairro terminando o portfolio novo e mandando centenas de e-mails, saltando de um trem e entrando em outro, tentando comparecer sem tanto atraso às entrevistas, a cabeça sempre a mil no planejamento de todos os outros projetos de vida que estiveram parados nos últimos meses/anos e agora vieram à tona. Sei que já não consigo mais discernir o que é prioridade do que pode esperar, o que me preocupa do que me motiva. Ui.

Mas o melhor é que nessas semanas ausentes, o que não tem faltado por aqui são novidades. E isso é mágico! Consegui rechear meus dias de tudo o que eu queria. Me explico: a busca por trabalho, como de costume, começou a bombar de uma hora pra outra, quando já dava tudo por perdido. Muitas ligações recebidas e propostas das mais variadas, uma loucura! Se outros costumam esperar meses por um bom trabalho, esses 35 dias já consumiram minhas reservas de paciência. O incrível é que não tive nenhum dia de desespero e pânico (tão de praxe na minha rotina). Me sentia quase sempre animada e otimista, e acho que isso contagia. Resultado imediato. Hoje recebi o “sim” do lugar que mais quis trabalhar, uma agência pequena, dinâmica e extremamente criativa, tudo aquilo que eu precisava sugar. Lindo, lindo.

As horas livres da outra semana enchi de eventos que estavam rolando pela cidade. Já que o foco em trabalho ainda dependia de confirmações, afundei meu tempo participando de seminários e palestras alucinantes. Tudo de graça, por supuesto! O “Licencia para crear” da Adobe foi da manhã até a noite, 200% interessante. Tá bom, admito que foi de babar mesmo, até o coffee-break era o que havia de profissional. Já os foruns da ADG, fiasco completo, que lástima… Mas foram dias de informação non stop, bastante correria e muitos passeios entre um objetivo e outro.

Quanto às famosas aulas da Pós, affe! Imagine-se aprendendo coisas novas a cada minuto em aula. Depois de anos só escutando e anotando teorias repetidas de design (isso NÃO é uma reclamação, acredito que faz parte da graduação), é como entrar num mundo paralelo. Talvez porque eu não tenha sido criada no marketing ou na publicidade, me instiga muito mais o visual que o conceitual, os resultados que a estratégia. E é por isso que soa tão incrível dar de cara com argumentos e análises mais abrangentes! Me parece inteligente e muito, muito, muito relevante. E nem menciono o nível dos ‘coleguinhas’ de clase :-)

Sr. Diário, quem diria. Uma vez me disseram que Barcelona tinha me mudado, que eu era outra Amanda. Nem melhor nem pior, porém outra. Duvidei, e dediquei boas horas a essa reflexão. Realmente, a tal da outra Amanda não teria coragem de arriscar o que já arriscou, nem riria quando a vontade era de chorar. Não incorporaria uma boa alma Poliana, tentando encontrar motivos razoáveis pra tudo de ruim que possa acontecer. Era capaz de perder amores e deixar despencar o mundo. A nova tem mais certeza do que quer e sabe que o que é dela tá guardado. A preguiça já bateu algumas vezes, mas ela anda meio incansável, emprestando pique e doando ânimo.

Resumindo. Fiquei mais piegas que nunca, mas infinitamente mais tranquila.

beijos, beijos

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